A ONU para lembrar a execução de 69
pessoas negras em uma manifestação pacífica contra o regime de
segregação racial (Apartheid), na cidade de Sharpeville na África do
Sul, no início da década de 1960, instituiu o 21 de março como o Dia
Internacional Contra a Discriminação Racial.
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Quando falamos de combate ao machismo nós não podemos ser seletivas quanto às lutas que iremos estabelecer, um movimento de mulheres deve contemplar todas, com todos os seus lugares e lutas sociais, por isso o Coletivo Rita Lobato tem como diretriz a luta interseccional para o alcance da equidade de direitos às mulheres, aliando assim todas as lutas que assolam as realidades das mulheres brasileiras como, a luta de classe, raça, sexualidade entre outras.
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A realidade brasileira é aquela na qual a mulher negra lidera os índices de violência, o nosso país insiste em negar a existência de seus direitos colocando-as à margem da sociedade, restando a elas os não-lugares sociais. O movimento de mulheres tem em seu histórico o protagonismo e avanço de direitos sempre para o mesmo perfil de mulher: brancas e burguesas. A lei Maria da Penha é um exemplo disso, pois embora tenha representado um grande avanço de direitos para o grupo social, ainda não contempla todas as mulheres, visto que, mulheres negras e pobres ainda são as mais prejudicadas, no que tange acesso de direitos.
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O Mapa da Violência de 2015 mostrou que do total de feminicídios acometidos, 64% das vítimas eram mulheres negras, e das 2,4 milhões de mulheres que sofreram violência, 1,5 milhão são negras. Em contraponto, o assassinato de mulheres brancas sofreu um recuo de 9,8% e o de mulheres negras aumento de 54%. Nós, do movimento Rita Lobato, assim como a escritora e filósofa Djamila Ribeiro, queremos mulheres negras não como objetos de estudos e sim como sujeitos da pesquisa, entendemos que quando uma mulher negra alcança seu lugar e seus direitos, toda a sociedade ganha também. 💜✊🏿
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Quando falamos de combate ao machismo nós não podemos ser seletivas quanto às lutas que iremos estabelecer, um movimento de mulheres deve contemplar todas, com todos os seus lugares e lutas sociais, por isso o Coletivo Rita Lobato tem como diretriz a luta interseccional para o alcance da equidade de direitos às mulheres, aliando assim todas as lutas que assolam as realidades das mulheres brasileiras como, a luta de classe, raça, sexualidade entre outras.
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A realidade brasileira é aquela na qual a mulher negra lidera os índices de violência, o nosso país insiste em negar a existência de seus direitos colocando-as à margem da sociedade, restando a elas os não-lugares sociais. O movimento de mulheres tem em seu histórico o protagonismo e avanço de direitos sempre para o mesmo perfil de mulher: brancas e burguesas. A lei Maria da Penha é um exemplo disso, pois embora tenha representado um grande avanço de direitos para o grupo social, ainda não contempla todas as mulheres, visto que, mulheres negras e pobres ainda são as mais prejudicadas, no que tange acesso de direitos.
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O Mapa da Violência de 2015 mostrou que do total de feminicídios acometidos, 64% das vítimas eram mulheres negras, e das 2,4 milhões de mulheres que sofreram violência, 1,5 milhão são negras. Em contraponto, o assassinato de mulheres brancas sofreu um recuo de 9,8% e o de mulheres negras aumento de 54%. Nós, do movimento Rita Lobato, assim como a escritora e filósofa Djamila Ribeiro, queremos mulheres negras não como objetos de estudos e sim como sujeitos da pesquisa, entendemos que quando uma mulher negra alcança seu lugar e seus direitos, toda a sociedade ganha também. 💜✊🏿
✊🏿A primeira delas é Sophia Lopes, com o seguinte relato:
"Mesmo me vendo em um lugar de privilégios quando comparada a outras mulheres negras, para mim é uma luta diária sair de casa e encontrar poucas pessoas mulheres negras nos lugares que frequento, principalmente na faculdade, me vem um sentimento de querer questionar a todo momento: por que não somos mais aqui?
Situações onde me falam que não é necessário cotas raciais, pois somos “todos iguais”, ouvir que muitos acreditam que a cor não afeta no futuro das pessoas em nosso país é de cortar o coração.
É triste entrar em um estabelecimento com a sua família e ver que o tratamento é diferente e os olhares que recebemos são de: vocês não deveriam frequentar esse tipo de lugar.
Quando minha mãe me conta suas vivências de 40 anos atrás até hoje, eu vejo quanto racismo, machismo e outras dificuldades ela teve que lidar para chegar onde ela chegou e me proporcionar a condição de vida que tenho. Vejo que muitas coisas já mudaram de lá para cá, mas ainda temos muito o que buscar melhorias."
"Mesmo me vendo em um lugar de privilégios quando comparada a outras mulheres negras, para mim é uma luta diária sair de casa e encontrar poucas pessoas mulheres negras nos lugares que frequento, principalmente na faculdade, me vem um sentimento de querer questionar a todo momento: por que não somos mais aqui?
Situações onde me falam que não é necessário cotas raciais, pois somos “todos iguais”, ouvir que muitos acreditam que a cor não afeta no futuro das pessoas em nosso país é de cortar o coração.
É triste entrar em um estabelecimento com a sua família e ver que o tratamento é diferente e os olhares que recebemos são de: vocês não deveriam frequentar esse tipo de lugar.
Quando minha mãe me conta suas vivências de 40 anos atrás até hoje, eu vejo quanto racismo, machismo e outras dificuldades ela teve que lidar para chegar onde ela chegou e me proporcionar a condição de vida que tenho. Vejo que muitas coisas já mudaram de lá para cá, mas ainda temos muito o que buscar melhorias."
Relato da Paula Nogueira:
Meu nome é Paula, tenho dezoito anos, e eu sou negra! Não! Não sou "morena", "moreninha" e muito menos "a cor do pecado"! A "cor do pecado" é a cor do sangue derramado que jorra, de tantos jovens negros, homens e mulheres! Essa é a cor da indiferença, do descaso, do preconceito e do genocídio da população negra. Desde o período da colonização do Brasil até o mais novo segundo da minha vida.
Como mulher, eu falo de tudo que qualquer mulher fala; recorro as mesmas reivindicações de todas as mulheres; sofro, por cada caso cotidiano de violência contra a mulher. Como mulher negra, eu intensifico. Eu intensifico meu clamor pelo meu lugar de fala, que por ser mulher já é escasso, e por ser negra, passa a ser quase inexistente; eu intensifico a reivindicação pelos meus direitos, que por ser mulher, já me são subvertidos, e por ser negra, tornam-se quase tão escuros quanto a minha pele; eu intensifico o sofrimento, por cada caso de violência contra a mulher, pelo simples fato de ser mulher, e por ser negra, por mera extrapolação da sexualização que a nossa melanina gera.
Apesar de participante da "minoria" populacional, como mulher, negra, e pobre, e ainda com quase todos os requisitos para ter tomado um rumo difetente ao qual minha vida está agora, me vejo como sendo privilegiada perante muitos dos desafios sociais dos quais creio que não tenho sido vítima. Minha mãe sempre fez o possível e o impossível para me criar da melhor maneira que pôde, e tudo que eu sou, e tenho em mim como valor me foi dado por ela; se hoje eu estou em um curso tão valorado pela sociedade, porque sim, o curso que faço não é visto como acessível, e muito menos miscigenado perante a sociedade; é elitista e de alto status social, e a cada dia que eu entro na minha sala é a prova disso, e prova de resistência. Não só para mim, mas para todo aluno negro da nossa faculdade, que inclusive, em um dia mais que comum passei a olhar com estranhamento e me questionar sobre o porque de um número tão escasso de alunos retintos.
Olho com estranhamento quando participo das reuniões do meu trabalho, e sou a única pessoa negra na sala, em muitos os casos; olho com estranhamento quando vou a locais á lazer e sou a única cliente negra, enquanto os funcionários são negros; olho com estranhamento quando ouço que cotas sócio-raciais não deveriam existir, pois todos somos iguais, e devemos buscas oportunidades. Mas onde buscar oportunidades quando essa alternativa de caminho não nos é apresentada? Bom, isso eu acho que todos sabemos a resposta! E é justamente por sabermos, que a luta diária por igualdade racial e social não deve ser minimizada com pormenores.
Meu nome é Paula, tenho dezoito anos, e eu sou negra! Não! Não sou "morena", "moreninha" e muito menos "a cor do pecado"! A "cor do pecado" é a cor do sangue derramado que jorra, de tantos jovens negros, homens e mulheres! Essa é a cor da indiferença, do descaso, do preconceito e do genocídio da população negra. Desde o período da colonização do Brasil até o mais novo segundo da minha vida.
Como mulher, eu falo de tudo que qualquer mulher fala; recorro as mesmas reivindicações de todas as mulheres; sofro, por cada caso cotidiano de violência contra a mulher. Como mulher negra, eu intensifico. Eu intensifico meu clamor pelo meu lugar de fala, que por ser mulher já é escasso, e por ser negra, passa a ser quase inexistente; eu intensifico a reivindicação pelos meus direitos, que por ser mulher, já me são subvertidos, e por ser negra, tornam-se quase tão escuros quanto a minha pele; eu intensifico o sofrimento, por cada caso de violência contra a mulher, pelo simples fato de ser mulher, e por ser negra, por mera extrapolação da sexualização que a nossa melanina gera.
Apesar de participante da "minoria" populacional, como mulher, negra, e pobre, e ainda com quase todos os requisitos para ter tomado um rumo difetente ao qual minha vida está agora, me vejo como sendo privilegiada perante muitos dos desafios sociais dos quais creio que não tenho sido vítima. Minha mãe sempre fez o possível e o impossível para me criar da melhor maneira que pôde, e tudo que eu sou, e tenho em mim como valor me foi dado por ela; se hoje eu estou em um curso tão valorado pela sociedade, porque sim, o curso que faço não é visto como acessível, e muito menos miscigenado perante a sociedade; é elitista e de alto status social, e a cada dia que eu entro na minha sala é a prova disso, e prova de resistência. Não só para mim, mas para todo aluno negro da nossa faculdade, que inclusive, em um dia mais que comum passei a olhar com estranhamento e me questionar sobre o porque de um número tão escasso de alunos retintos.
Olho com estranhamento quando participo das reuniões do meu trabalho, e sou a única pessoa negra na sala, em muitos os casos; olho com estranhamento quando vou a locais á lazer e sou a única cliente negra, enquanto os funcionários são negros; olho com estranhamento quando ouço que cotas sócio-raciais não deveriam existir, pois todos somos iguais, e devemos buscas oportunidades. Mas onde buscar oportunidades quando essa alternativa de caminho não nos é apresentada? Bom, isso eu acho que todos sabemos a resposta! E é justamente por sabermos, que a luta diária por igualdade racial e social não deve ser minimizada com pormenores.
👇🏿 Mas você não é tão negra. Eles disseram!
Seu nariz não é tão largo.
Nossa, que "morena" linda. Eles disseram!
Acho lindo, esse cabelo de vocês! Vocês quem?
Sou mulher, preta, classe social pobre. Acho que era isso, o que eles tanto queriam dizer!
Enquanto criança, encontrei uma maneira de blindar, de alguma forma o racismo que recaia sobre minhas costas. Sempre fui a engraçada. Era uma criança que usava do sorriso, para se defender.
Me lembro, quando ficava horas na frente do espelho, imaginando um corte de cabelo diferente. Algo que não fosse, o famoso rabo de cavalo. Em um belo dia, cortei! Queria minha franja igual a da Sandy.
Todos sabemos, que não deu muito certo. Não existia produtos, para o "cabelo de vocês".
Então, fui obrigada a recorrer ao famoso, rabo de cavalo. Só que agora, com a franja, presa por tic-tac (alguém aí, lembra dessa moda?)
Os anos se passaram, e surgiu um tratamento milagroso. Que iria me incluir nos padrões de beleza. Pois apesar de ser preta, meu nariz não era tão largo.
Fiquei encantada com a possibilidade de alisar meu cabelo. De acabar com todo aquele volume de sempre, que nunca era solto. Me rendi aos encantos da escova progressiva. E assim, consegui realizar meu sonho de infância. Pude ter a tão sonhada, franja da Sandy.
Procurava em algum lugar, alguém que se parecesse comigo... Até que encontrei.
Ah, como ela era linda, com seu corpo todo brilhante e reluzente. Meus olhos brilhavam. E quando ela passava na TV, eu ficava pulando, me requebrando, tentando imitá-la. Queria, porque queria, ser a Globeleza.
Hoje, tenho 31 anos. Há 6 anos não aliso meu cabelo. Meu coração dói em lembrar, que desfiz, por tanto tempo, os cachinhos que Deus me deu. Tudo para ser aceita.
Hoje, percebo que aquele sonho da franja da Sandy, não era meu! Era um sonho que me impuseram a acreditar.
Acreditar que mulheres e mulheres pretas não tinham lugar.
Entendi, que fui influenciada a preferir ouvir que tenho a cor do pecado, do que ouvir que tenho o cabelo ruim.
Meu cabelo é meu, do jeito que é. Minha pele é linda e não há pecado.
Hoje, vejo com clareza, que o pecado é o preconceito. Preta, sim!
Seu nariz não é tão largo.
Nossa, que "morena" linda. Eles disseram!
Acho lindo, esse cabelo de vocês! Vocês quem?
Sou mulher, preta, classe social pobre. Acho que era isso, o que eles tanto queriam dizer!
Enquanto criança, encontrei uma maneira de blindar, de alguma forma o racismo que recaia sobre minhas costas. Sempre fui a engraçada. Era uma criança que usava do sorriso, para se defender.
Me lembro, quando ficava horas na frente do espelho, imaginando um corte de cabelo diferente. Algo que não fosse, o famoso rabo de cavalo. Em um belo dia, cortei! Queria minha franja igual a da Sandy.
Todos sabemos, que não deu muito certo. Não existia produtos, para o "cabelo de vocês".
Então, fui obrigada a recorrer ao famoso, rabo de cavalo. Só que agora, com a franja, presa por tic-tac (alguém aí, lembra dessa moda?)
Os anos se passaram, e surgiu um tratamento milagroso. Que iria me incluir nos padrões de beleza. Pois apesar de ser preta, meu nariz não era tão largo.
Fiquei encantada com a possibilidade de alisar meu cabelo. De acabar com todo aquele volume de sempre, que nunca era solto. Me rendi aos encantos da escova progressiva. E assim, consegui realizar meu sonho de infância. Pude ter a tão sonhada, franja da Sandy.
Procurava em algum lugar, alguém que se parecesse comigo... Até que encontrei.
Ah, como ela era linda, com seu corpo todo brilhante e reluzente. Meus olhos brilhavam. E quando ela passava na TV, eu ficava pulando, me requebrando, tentando imitá-la. Queria, porque queria, ser a Globeleza.
Hoje, tenho 31 anos. Há 6 anos não aliso meu cabelo. Meu coração dói em lembrar, que desfiz, por tanto tempo, os cachinhos que Deus me deu. Tudo para ser aceita.
Hoje, percebo que aquele sonho da franja da Sandy, não era meu! Era um sonho que me impuseram a acreditar.
Acreditar que mulheres e mulheres pretas não tinham lugar.
Entendi, que fui influenciada a preferir ouvir que tenho a cor do pecado, do que ouvir que tenho o cabelo ruim.
Meu cabelo é meu, do jeito que é. Minha pele é linda e não há pecado.
Hoje, vejo com clareza, que o pecado é o preconceito. Preta, sim!




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