Sexualização de Mulheres Lésbicas

 


Ao pensar em sexualização de mulheres lésbicas, o mais comum é pensar em situações em que um casal lésbico é visto como objeto de prazer. Outra situação não menos rara, é quando amigas são entendidas/vistas como um casal, mesmo que as mesmas declarem não ser um casal. Essa interpretação da amizade tira dessas mulheres toda e qualquer possibilidade de serem vistas socialmente como pessoas capazes de formar laços de amizade e afeto.




A taxa de estupros corretivos tem aumentando nas denúncias pelo 180 (canal de denúncias de violência contra a mulher.
Além disso, a sexualidade de uma mulher lésbica é sempre desacreditada: “Você é tão bonita pra ser lésbica!”... “Ah! Mas em 1832 ela namorou um homem, é fase! Já vai passar”... “Adorei sua amiga”... “Vocês não sentem falta de algo?”...


Contar a história da socialização da humanidade é contar a história da imposição da binaridade de gênero. Ser mulher ou ser homem é expressar uma ideia de gênero construída e adequada à heteronormatividade compulsória.
Ao analisar a imposição de gênero em uma relação entre duas mulheres dentro de uma sociedade que reverbera valores da heteronormatividade, são comuns comentários como: “Quem é o homem da relação?”, ou, “Ela nunca deve ter tido um homem de verdade, por isso se relaciona com mulheres...”. A resposta a esses comentários é muito simples: não existe um homem ou figura masculina em uma relação entre duas mulheres; uma mulher não é a vertente inacabada do homem, não é um ser dependente de um falo para expressar amor, afeto ou sexualidade. É preciso desconstruir a ideia de binarismo na qual a mulher é o segundo sexo, diferenciado a partir do olhar masculino. Somos mais que um, mas não dois, somos multiplicidades.
A coerção de gênero se torna um fator limitante de acesso aos espaços públicos às mulheres que não expressam feminilidade. Contribui para a perpetuação do poder falocêntrico e patriarcal, além de causar uma série de desconfortos e preconceitos. A esse respeito, segue o depoimento de umas das nossas seguidoras:

“Uma vez, quando eu estava no terceiro ano do ensino médio, algumas garotas da minha turma, aparentemente héteros, entraram no assunto sobre menstruação e cólica, e como era uma roda grande e eu estava nela, eu disse que o meu ciclo era intenso e que eu sentia cólicas. Todas, com exceção de uma, perguntaram: "Você menstrua?”. Eu ri e respondi que sim, que não é porque eu não uso maquiagem ou roupas que passam uma feminilidade que eu deixo de ser mulher.
Além disso, os garotos da minha turma sempre me trataram como se eu fosse um menino, por eu jogar bola, por usar aquele uniforme largo, a calça no modelo dito “masculino”. No começo isso não me incomodava, mas depois sim, pois não é porque eu faço coisas que pessoas dizem que são de homens que eu deixo de ser mulher.”








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