Suicídio na população índigena

 


Alarmante ao compararmos com a média nacional. Em 2018 o Brasil registrou uma média de 5,8 óbitos para 100 mil habitantes, a maioria entre os 15 e 29 anos de idade. Na população indígena foi quase três vezes maior que a média nacional, 15,2 registros por 100 mil, sendo 44,8% jovens em idade entre 10 e 19 anos.
De acordo com o Ministério da Saúde, a mortalidade por suicídio é alta entre os homens indígenas, 23,1 mortes por 100 mil habitantes enquanto a taxa para homens brancos é de 9,5, e negros 7,6 mortes. Entre as mulheres indígenas a taxa também é maior (7,7), na comparação com brancas (2,7) e negras (1,9).

Os indígenas na busca por reconhecimento, tanto dentro quanto fora de suas comunidades, pagam um preço elevadíssimo pelo esforço que fazem, pondo em jogo suas vidas. Quando não sentem que podem contar com tais vínculos de pertencimento social tornam-se efêmeros. 

Quando uma pessoa próxima comete suicídio, quem fica se pergunta se fez o possível para evitar a tragédia. Quando há um povo sendo destruído e se auto destruindo, o estado e a sociedade devem se perguntar o que poderia ter feito. 

‘’No dia em que não houver lugar para o índio no mundo não haverá lugar para ninguém.’’ - Ailton Krenak 




O suicídio é envolvido por profundos sofrimentos psíquicos,  onde o sujeito se vê numa condição onde parece que ele não tem escolha. No caso dos indígenas, podem ser jovens que não mais se reconhecem. Não pertencem ao mundo branco regido pela lógica capitalista, embora por vezes almejam o que o branco faz ou o poder que ele possui.

Se as pessoas não tiverem vínculos profundos com sua memória ancestral, com as referências que dão sustentação a uma identidade, vão ficar loucas neste mundo maluco que compartilhamos. - Ailton Krenak 



O suicídio é envolvido por profundos sofrimentos psíquicos,  onde o sujeito se vê numa condição onde parece que ele não tem escolha. 

Os indígenas conscientes e orgulhosos das suas raízes são muitas vezes impedidos de viver plenamente suas tradições pela falta de espaço para realizar suas atividades. É nesse momento que aspectos culturais e individuais que levam ao suicídio passam a ganhar também dimensões políticas.

“Os meninos aprendiam a caçar, as mulheres a plantar, éramos livres e agora estamos presos no menor território indígena do Brasil, são 1,7 mil hectares para 700 pessoas”

-Adriana, menina indígena. 



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